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BOLETIM ELEIÇÕES 2018 - 3ª EDIÇÃO

18/09/18 - Por Darana RP

A campanha ganha nos lances 

Com a mudança de candidato do PT à presidência é hora de rever estratégias

Reposicionados os jogadores na disputa presidencial, com a entrada em campo de Fernando Haddad como cabeça de chapa petista em substituição ao ex-presidente Lula, as campanhas para as eleições estaduais já começam a mudar de tom. A coordenação de campanha da coligação liderada pelo governador Rui Costa (PT) já acelera os novos materiais gráficos e têm a missão de massificar a presença do nome do presidenciável, cuja fragilidade é ser pouco conhecido no Nordeste. Navegando em águas aparentemente tranquilas pela boa colocação nas últimas pesquisas, Rui Costa deverá dedicar-se com afinco a essa tarefa. O “aparentemente” fica por conta do tempo, uma vez que as últimas pesquisas foram divulgadas há quase um mês (22 de agosto), o que para uma campanha é um século. No entanto, com a grande diferença para o segundo colocado, o demista José Ronaldo - (50% x 8% na pesquisa Ibope) e (51% a 18% na pesquisa Real Time/Big Data) -, o petista tem uma boa margem de segurança.


No campo oposicionista quem sofre pressão por todos os lados é o presidente do DEM, o prefeito de Salvador ACM Neto. Além de trabalhar para alavancar seu indicado ao Palácio de Ondina, José Ronaldo, Como coordenador da campanha do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) no Nordeste, tem sido pressionado pela coordenação nacional por mais empenho na campanha cada vez mais desidratada do Tucano. Quem também assume publicamente que precisa urgentemente da assistência de ACM Neto é o candidato ao senado pela coligação oposicionista, Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), cuja campanha ainda não decolou.


Diferentemente da disputa ao Governo do Estado, onde o jogo segue um tanto previsível, a busca por uma vaga no senado é cercada de lances mais emocionantes. E quem está com a bola toda é o candidato da oposição Irmão Lázaro (PSC) que na última pesquisa apareceu em segundo lugar com 23% das intenções de voto, atrás de Jaques Wagner (PT), com 34%, e segundo informações tem crescido na preferência dos eleitores.


Com o desempenho, o candidato está desbancando o companheiro de chapa Jutahy Jr (14%) e o candidato pela chapa governista, Ângelo Coronel (PSD), com 7%, com quem disputa voto a voto a preferência do eleitorado evangélico, ameaçando quebrar o tabu de que o governador elege automaticamente os senadores. Para manter a tradição, Jaques Wagner já chamou para si a tarefa de puxar seu parceiro de chapa, que ainda teve de se afastar da campanha por problemas de saúde. 


Perder uma das vagas no Senado será o resultado do maior erro de avaliação da chapa governista, que preteriu a Senadora Lídice da Mata (PSD), que buscava a reeleição e lutou até o fim pela vaga. A coligação desconsiderou o imenso capital político da senadora, segunda mais votada nas eleições de 2010, com quase 3,4 milhões de votos (28,9%) e perde a oportunidade histórica de colocar na prática a representatividade feminina nestas eleições, tirando do páreo a única candidata ao Senado pela Bahia e com grandes chances de vitória.


Isto em uma eleição marcada pelo protagonismo das mulheres que estão mais conscientes da força que representam. Os grupos organizados em redes sociais contra ou a favor de determinado candidato criaram um fenômeno a parte no mundo virtual e já começaram a ganhar as ruas. Se como eleitoras, as mulheres têm sido protagonistas de iniciativas de alto impacto nestas eleições, os números mostram quando se trata do acesso aos cargos eletivos, o predomínio ainda é masculino.  Embora somem 52% do eleitorado baiano, as mulheres são apenas 30% do total de candidatos ao pleito deste ano. Ou seja, partidos e coligações cumprem apenas o mínimo estabelecido pela Lei e sempre de olho na fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), um total R$ 1,7 bilhão que devem ser repassados para candidaturas de mulheres de todos os partidos.


Para o cargo máximo do Estado há apenas uma candidata, Célia Sacramento (Rede). Concorrendo como vice-governadora são quatro (57,14% das vagas), único cargo em que superam os homens. Nenhuma mulher concorre ao Senado pela Bahia. Para a Câmara Federal, representam 31,90% e para a Assembleia Legislativa, 30,19%. Para as duas casas, são 464 e 593 candidatos, respectivamente.     


E esta representatividade é ainda menor quando se avalia a real possibilidade de serem eleitas.  Na última eleição geral, dos 39 deputados federais eleitos pela Bahia, apenas três mulheres (7,7%). Dos 63 eleitos para Assembleia Legislativa sete eram mulheres, apenas 11,1%.  As eleições de 2018, que devem entrar para a história como uma das mais emblemáticas e complexas desde o final da Ditadura Militar, também será marcada pela continuidade da desigualdade de gênero, algo que já deveria ter sido há muito superado.